...C I G A N O S...
Um povo nômade e feliz!
União e coragem são traços predominantes dos Ciganos, um povo nômade que vive em acampamentos às margens das rodovias. Suas mulheres usam vestidos longos e coloridos, com blusas de decotes generosos a exibir seios fartos. Seus cabelos lisos são presos e encimados por presilhas e pentes sempre vistosos. Temidas, mas desejadas.
Bonitas na sua maioria atraem para si alguns incautos que vencidos por argumentos infalíveis, se vêem explorados pelas falsas mensagens nem sempre animadoras, depois de lidas as linhas de suas mãos. Não raro, muitos deles saem satisfeitos e contentes. “Na verdade cigano que se preza, antes de ler a mão, lê os olhos das pessoas (os espelhos da alma) tocam seus pulsos (para sentirem as vibrações energéticas) e a partir daí, fazem as suas conclusões, estudando a mente e o corpo pela quiromancia.”
Quem nunca ouviu falar da Raça Cigana? Provavelmente muitos afirmariam que sim. Confirmar que são hostis e perigosos é exagero, entretanto, reagem com violência. Calçados com botas e esporas, jaleco de couro sobre uma camisa de cor forte, calças com o mesmo tom escuro que o chapéu sempre caído de lado, caracteriza-se o cigano.
“Sua origem é muito contestada e tudo que disser sobre o Povo Cigano é conjectura. Eles não possuem até hoje uma língua escrita, o que dificulta sua verdadeira origem. Especula-se que surgiram ao Norte da Índia, há mais de 3.000 anos, em Gujaratna. Alguns são exímios ferreiros e como artesãos fabricam selas, utensílios e suas jóias. A citação acima foi extraída de uma entrevista com a cigana Sttrada – Em Fev de 1998.”
Saindo do Oriente para o Ocidente, esses artistas sem fronteiras deslocam-se facilmente por muitos lugares, sempre comercializando animais, e artesanatos. No interior da Bahia também se fizeram presentes, foi quando em férias, lamentavelmente eu os conheci.
Cidade onde nasci, Redenção era a preferida para as minhas férias de fim de ano. Garoto ainda com apenas dez anos, fui o vilão numa história que marcou minha infância profundamente. Convencido por Cristina Anjos, uma sobrinha muito querida, resolvi torná-la pública.
Era domingo e jogávamos futebol em um campo de várzea, perto de um Acampamento Cigano. O jogo foi interrompido por uma dezena de jovens que resolveram acabar com nossa pelada. Muito valentes apesar de tão novos quanto nós, tentavam nos acuar, quando o colega Juarez, com uma certeira pedrada fez sangrar a testa de um ciganinho, o menor do grupo. Temendo por um possível massacre, corremos pelas ruas em busca de um abrigo seguro. Optei por uma via paralela que me faria chegar à mercearia no centro da cidade, de propriedade de meu irmão, Antônio Manchinha. O tropel da cavalaria, os gritos dos ciganos adultos, mulheres inclusive, chegaram aos meus ouvidos e duvidei que conseguisse chegar com vida, ao meu destino. Fui mais rápido que aqueles enfurecidos homens que a todo custo queriam tirar o meu escalpo.
Obcecados pelo sabor da vingança, ameaçavam tirar-me à força do meu esconderijo. Uma batalha sangrenta poderia ter acontecido, pois muitos nativos também armados enfrentavam corajosamente os sanguinários, finalmente contidos por uma negociação. Cumprindo sua parte do acordo em que ambos se comprometiam não haver mortes, Manchinha leva o garoto apedrejado a uma farmácia deixando-me sob a guarda do chefe do bando, homem valente que me garantiu segurança desde que seu neto voltasse medicado e vivo. Lembro que fui por ele inquirido: “Foi você, gajão”? Seja franco, se não eu...Aquela ameaça me fez gelar mas respondi com firmeza: Não vi quem machucou o garoto. Só sei que eu jamais faria uma coisa dessas. Eu não fiz isso! Aquele homem rude envolveu-me em um abraço e disse-me: "Você está salvo, filho" Se mentisse, morreria.
Muitos conterrâneos se esgueiravam entre os patéticos ciganos que aos prantos, lamentavam e lançavam sobre mim suas terríveis pragas. Mal sabiam que se necessário fosse, seriam trucidados pelas armas bem escondidas dos amigos nativos. Todo o barulho cessou e o silêncio da rua foi quebrado pela voz forte do líder quando disse a todos que tudo terminara bem, graças ao corajoso “Gajão” Antônio Manchinha. Erguendo o esquálido neto, disse: Vejam! Ele está bem!
Em obediência ao Chefe Adelbrando que para tanto teve de usar muita diplomacia, o grupo carregando o ciganinho são e salvo começava a retornar ao acampamento. De braços e punhos erguidos, quais bestas-feras brandiam no ar inusitadas armas, verdadeiros troféus de guerra.
Como se fora um fugitivo, abri mão dos meus planos de férias e sem relutar fui convencido pela família a deixar a cidade pois corria ainda, risco de morte. Enfim, a segurança do meu Lar.
Não obstante esse episódio, o cigano que não tem Pátria, é livre, e tem meu respeito.
O Povo Cigano é guardião da liberdade. Seu grande lema é:
“O Céu é meu Teto; a Terra é minha Pátria e a Liberdade é minha Religião”
Rômulo Bispo – 05.06.2009
Os créditos das fotos não são meus. Foram extraídas da Internet para ilustrar a matéria.
Quem nunca ouviu falar da Raça Cigana? Provavelmente muitos afirmariam que sim. Confirmar que são hostis e perigosos é exagero, entretanto, reagem com violência. Calçados com botas e esporas, jaleco de couro sobre uma camisa de cor forte, calças com o mesmo tom escuro que o chapéu sempre caído de lado, caracteriza-se o cigano.
“Sua origem é muito contestada e tudo que disser sobre o Povo Cigano é conjectura. Eles não possuem até hoje uma língua escrita, o que dificulta sua verdadeira origem. Especula-se que surgiram ao Norte da Índia, há mais de 3.000 anos, em Gujaratna. Alguns são exímios ferreiros e como artesãos fabricam selas, utensílios e suas jóias. A citação acima foi extraída de uma entrevista com a cigana Sttrada – Em Fev de 1998.”
Saindo do Oriente para o Ocidente, esses artistas sem fronteiras deslocam-se facilmente por muitos lugares, sempre comercializando animais, e artesanatos. No interior da Bahia também se fizeram presentes, foi quando em férias, lamentavelmente eu os conheci.
Cidade onde nasci, Redenção era a preferida para as minhas férias de fim de ano. Garoto ainda com apenas dez anos, fui o vilão numa história que marcou minha infância profundamente. Convencido por Cristina Anjos, uma sobrinha muito querida, resolvi torná-la pública.
Era domingo e jogávamos futebol em um campo de várzea, perto de um Acampamento Cigano. O jogo foi interrompido por uma dezena de jovens que resolveram acabar com nossa pelada. Muito valentes apesar de tão novos quanto nós, tentavam nos acuar, quando o colega Juarez, com uma certeira pedrada fez sangrar a testa de um ciganinho, o menor do grupo. Temendo por um possível massacre, corremos pelas ruas em busca de um abrigo seguro. Optei por uma via paralela que me faria chegar à mercearia no centro da cidade, de propriedade de meu irmão, Antônio Manchinha. O tropel da cavalaria, os gritos dos ciganos adultos, mulheres inclusive, chegaram aos meus ouvidos e duvidei que conseguisse chegar com vida, ao meu destino. Fui mais rápido que aqueles enfurecidos homens que a todo custo queriam tirar o meu escalpo.
Obcecados pelo sabor da vingança, ameaçavam tirar-me à força do meu esconderijo. Uma batalha sangrenta poderia ter acontecido, pois muitos nativos também armados enfrentavam corajosamente os sanguinários, finalmente contidos por uma negociação. Cumprindo sua parte do acordo em que ambos se comprometiam não haver mortes, Manchinha leva o garoto apedrejado a uma farmácia deixando-me sob a guarda do chefe do bando, homem valente que me garantiu segurança desde que seu neto voltasse medicado e vivo. Lembro que fui por ele inquirido: “Foi você, gajão”? Seja franco, se não eu...Aquela ameaça me fez gelar mas respondi com firmeza: Não vi quem machucou o garoto. Só sei que eu jamais faria uma coisa dessas. Eu não fiz isso! Aquele homem rude envolveu-me em um abraço e disse-me: "Você está salvo, filho" Se mentisse, morreria.
Muitos conterrâneos se esgueiravam entre os patéticos ciganos que aos prantos, lamentavam e lançavam sobre mim suas terríveis pragas. Mal sabiam que se necessário fosse, seriam trucidados pelas armas bem escondidas dos amigos nativos. Todo o barulho cessou e o silêncio da rua foi quebrado pela voz forte do líder quando disse a todos que tudo terminara bem, graças ao corajoso “Gajão” Antônio Manchinha. Erguendo o esquálido neto, disse: Vejam! Ele está bem!
Em obediência ao Chefe Adelbrando que para tanto teve de usar muita diplomacia, o grupo carregando o ciganinho são e salvo começava a retornar ao acampamento. De braços e punhos erguidos, quais bestas-feras brandiam no ar inusitadas armas, verdadeiros troféus de guerra.
Como se fora um fugitivo, abri mão dos meus planos de férias e sem relutar fui convencido pela família a deixar a cidade pois corria ainda, risco de morte. Enfim, a segurança do meu Lar.
Não obstante esse episódio, o cigano que não tem Pátria, é livre, e tem meu respeito.
O Povo Cigano é guardião da liberdade. Seu grande lema é:
“O Céu é meu Teto; a Terra é minha Pátria e a Liberdade é minha Religião”
Rômulo Bispo – 05.06.2009
Os créditos das fotos não são meus. Foram extraídas da Internet para ilustrar a matéria.
Gentileza fazer comentários em campo próprio, logo abaixo.