...M i n h a P r i m e i r a P r o f e s s o r a
A noite teimava em não findar-se, e o amanhecer ainda distante só prolongava minha ansiedade ante a expectativa daquele que seria o meu primeiro dia de aula, onde com sete anos me vi matriculado, e realizaria o sonho em estudar na inesquecível, Escola do Lavrado.
Acolhido com as honrarias costumeiras, ao adentrar na sala, fiquei encantado com a recepção. Todos os alunos levantaram-se e presentearam-me com uma bonita canção de boas-vindas. Senti que estavam curiosos em melhor me conhecer e fui logo me apresentando. “Rômulo é o meu nome, moro em uma Chácara, tenho muitos irmãos e primos e sou feliz por estar aqui.
Aquela professora morena e alta, elegante e bem vestida, fazia contrastar os seus olhos negros e miúdos com seu coração grande e muito generoso, pois sabia ser justa e igualitária. Com a sabedoria peculiar dos dedicados Mestres da época, se esmerava na missão de Educadora. Havia nascido minha querida professora para ensinar, para desbastar as pedras brutas que éramos nós, seus alunos, que filhos poderiam dela ser, não fosse a decisão Divina em não fazê-la Mãe apenas de alguns, mas de tantos a quem sempre com muito carinho, educou.
Essa mulher forte que por sorte nossa se doou a Lençóis, foi uma militante política e prestou relevantes serviços nessa área. Sempre coerente a seus princípios, defendeu seus ideais por uma cidade melhor e mais humana. À frente da Casa de Cultura Afrânio Peixoto, difundiu sem igual, entre os que tinham a avidez do saber, os objetivos do imortal Afrânio, o grande escritor. Também soube sem que preciso fosse ser uma Mãe, a importância de se cuidar dos filhos, quando trabalhou por muito tempo junto à creche Mãe Fifa e Clube de Mães, na nossa cidade.
Com a fé Cristã, cativou e foi uma multiplicadora de sua religiosidade ao ministrar o evangelho. Abnegada, está sempre disposta a ajudar o semelhante e fez de suas ações, exemplos de vida.
Meu eterno agradecimento a você, a quem sempre respeitosamente chamei de Dona Ivanyce, não por faltar-me a intimidade, contudo para destacá-la dentre todas as minhas professoras. Quão orgulhoso me faço em saber que não me ensinastes apenas as primeiras sílabas, sobretudo que das suas junções, formaria palavras e as frases. Que ao tirar dos meus olhos a venda da ignorância, enriquecia-me com ensinamentos imprescindíveis para minha formação.
Aos oitenta anos, lúcida e produtiva, você nos orgulha não apenas pelo que fez no passado, mas, pelo que ainda poderá contribuir para o futuro de nossa comunidade Lençoense. Orgulho-me de ter sido um dos seus melhores alunos, embora reconheça que o mérito foi todo seu, Mestra.
PARABÉNS, QUERIDA PROFESSORA E AMIGA, IVANYCE A. DE SOUZA
Rômulo Bispo dos Anjos.
Lençóis – BA – 20.08.2009
A noite teimava em não findar-se, e o amanhecer ainda distante só prolongava minha ansiedade ante a expectativa daquele que seria o meu primeiro dia de aula, onde com sete anos me vi matriculado, e realizaria o sonho em estudar na inesquecível, Escola do Lavrado.
Acolhido com as honrarias costumeiras, ao adentrar na sala, fiquei encantado com a recepção. Todos os alunos levantaram-se e presentearam-me com uma bonita canção de boas-vindas. Senti que estavam curiosos em melhor me conhecer e fui logo me apresentando. “Rômulo é o meu nome, moro em uma Chácara, tenho muitos irmãos e primos e sou feliz por estar aqui.
Aquela professora morena e alta, elegante e bem vestida, fazia contrastar os seus olhos negros e miúdos com seu coração grande e muito generoso, pois sabia ser justa e igualitária. Com a sabedoria peculiar dos dedicados Mestres da época, se esmerava na missão de Educadora. Havia nascido minha querida professora para ensinar, para desbastar as pedras brutas que éramos nós, seus alunos, que filhos poderiam dela ser, não fosse a decisão Divina em não fazê-la Mãe apenas de alguns, mas de tantos a quem sempre com muito carinho, educou.
Essa mulher forte que por sorte nossa se doou a Lençóis, foi uma militante política e prestou relevantes serviços nessa área. Sempre coerente a seus princípios, defendeu seus ideais por uma cidade melhor e mais humana. À frente da Casa de Cultura Afrânio Peixoto, difundiu sem igual, entre os que tinham a avidez do saber, os objetivos do imortal Afrânio, o grande escritor. Também soube sem que preciso fosse ser uma Mãe, a importância de se cuidar dos filhos, quando trabalhou por muito tempo junto à creche Mãe Fifa e Clube de Mães, na nossa cidade.
Com a fé Cristã, cativou e foi uma multiplicadora de sua religiosidade ao ministrar o evangelho. Abnegada, está sempre disposta a ajudar o semelhante e fez de suas ações, exemplos de vida.
Meu eterno agradecimento a você, a quem sempre respeitosamente chamei de Dona Ivanyce, não por faltar-me a intimidade, contudo para destacá-la dentre todas as minhas professoras. Quão orgulhoso me faço em saber que não me ensinastes apenas as primeiras sílabas, sobretudo que das suas junções, formaria palavras e as frases. Que ao tirar dos meus olhos a venda da ignorância, enriquecia-me com ensinamentos imprescindíveis para minha formação.
Aos oitenta anos, lúcida e produtiva, você nos orgulha não apenas pelo que fez no passado, mas, pelo que ainda poderá contribuir para o futuro de nossa comunidade Lençoense. Orgulho-me de ter sido um dos seus melhores alunos, embora reconheça que o mérito foi todo seu, Mestra.
PARABÉNS, QUERIDA PROFESSORA E AMIGA, IVANYCE A. DE SOUZA
Rômulo Bispo dos Anjos.
Lençóis – BA – 20.08.2009