............. Ricardo & Marina
Por Rômulo
A ânsia tomava conta dos nubentes, até pelo cansaço das noites mal dormidas, onde cada detalhe do projeto "casamento" foi por eles exaustivamente checado. Oito de janeiro de dois mil e doze amanheceu quente e ensolarado, uma bênção de RÁ o Deus Sol e Iemanjá a Rainha das Águas. A celebração inda que solene quebrou paradigmas, quando não por acaso foi realizada ao ar livre, e no encontro de um rio com o mar.
Águas Brasil com sutil requinte e visível estilo, foi o local perfeito pra receber do Rio Joanes e vindo do mar, uma noiva deslumbrante que ousou inovar. Do seu violino acordes afinados arrancavam da platéia, os aplausos, enquanto no barco que deslizava em águas mansas, a jovem inspirada, e ao por do sol, interpretava a canção "Quando a Gente Ama" de Oswaldo Montenegro. Por um instante vimos ignoradas as formalidades, e até mesmo o Meritíssimo juiz celebrante deixou o púlpito, a exemplo dos padrinhos e convidados, pra testemunhar aquele momento raro, de magia e beleza indescritível, que seria citado no seu sermão!
Perplexos nos voltamos pra ver da pequena embarcação, descer em terra firme, a emocionada Marina, quando o solo suave do seu instrumento, de repente cedeu lugar a um som forte e bem definido de um saxofone. Do altar nada convencional onde não se via resquícios das ricas pinturas barrocas, Ricardo orgulhosamente deu continuidade à canção símbolo de um amor recíproco, e sua impecável interpretação não deixou dúvidas de quão emocionadas ficaram as pessoas, posto que não contiveram suas lágrimas.
Com trajes simples, mas de muito bom gosto, o casal de noivos inovou também no vestuário pouco usual, sobretudo numa cerimônia de casamento, que foi registrado em foto e vídeo. Ela esbanjou estilo ao desfilar com o vestido creme de cauda longa e detalhes em renda cearense. A pintura discreta acentuou seu rosto bonito, encimado por um penteado que deixava ver com simetria, pequenas rosas brancas, feitas à mão. O irreverente noivo dispensou o tradicional terno com gravata, que provavelmente lhe assentaria muito bem, e não menos elegante caminhou com graça e leveza como se estivesse numa passarela. Suas vestes, composta de uma bata rica pelas rendas de bilros e a calça também branca e de puro linho, fez toda a diferença, e ainda optou por usar uma Sandália Stephanie pra calçar os seus pés. Assim, foram para o altar.
A cerimônia foi celebrada pelo Juiz de Paz, o doutor Alberto que fez uma palestra com enfoque no amor sem restrições; no amor puro e verdadeiro, coisa rara, até pelo excessivo número de divórcios que coloca em cheque a credibilidade da instituição família. As alianças, símbolo de união foram levadas aos nubentes por Thaís a irmã de Marina que se emocionou, mas refeita, leu "A Aliança" poesia preferida de Dona Nancy.
Findas as ponderações pertinentes, doutor Alberto, o juiz, fez ao casal o questionamento de praxe e ouviu sem surpresa o "sim" que o público presente ouviu claramente..."desejamos ficar sempre juntos, disseram".
O segundo e o último momento da cerimônia culminou com a leitura de uma crônica - "A Bênção das Areias" escrita por Rômulo o pai de Ricardo. Criam os recém casados como bem citou na mensagem o literato, que a fusão das areias "azul e laranja" levadas ao altar, seriam abençoadas, e depois de misturadas por ambos, fortaleceria a expectativa de que poderiam viver...
............ "Juntos para Sempre, e Separados, somente pela Morte!
Fim > 09/01/2012
Considerações: O evento foi bastante comentado - antes, durante, e depois de sua realização.
Antes - Quando da criação e idealização do projeto de autoria de Ricardo & Marina;
Durante - Quando da busca por profissionais especializados, e a inserção deles no projeto;
Depois - Pela mídia e convidados quando das críticas elogiosas ao ousado e bem elaborado projeto.