
MEU PRIMEIRO PROJETO COMO VOLUNTARIO DA PAZ EM LENCOIS - (1970-73)
Quando cheguei em Lencois naquele epoca do onibus da ALTA PARAISO, soltei e fui recebido
por Seu Dim no bar dele na Praca principal da cidade. Ele logo me reconheceu como “gringo”
e me-ofereceu alguns brindos de pinga p/ver se eu caisse p/traz. Depois de tomar dois, pedi licensa e sai um pouco tonto p/a pensao Sao Jose de D. Julinha onde hospedirarei nas proximas meses…..
Quando cheguei em Lencois naquele epoca do onibus da ALTA PARAISO, soltei e fui recebido
por Seu Dim no bar dele na Praca principal da cidade. Ele logo me reconheceu como “gringo”
e me-ofereceu alguns brindos de pinga p/ver se eu caisse p/traz. Depois de tomar dois, pedi licensa e sai um pouco tonto p/a pensao Sao Jose de D. Julinha onde hospedirarei nas proximas meses…..
Assim eu “nasci” com um brindo de pinga e entrei na vida desta velha cidade pequena, quase escondida e esqueicida na Chapada Diamantina no coracao da Bahia.
No inicio quase nao falava Potuguese. A minha vocabulario estava pequeno e era dificil de
comunicar ideas ou ate frases completas. A minha “professora de lingua” era Dona Ivanyce
quem chegou todos as noites na hora de jantar, sentava-se na minha mesa e “gritava” (talvez
pensando que a minha falta de conversa era a surdez, ate que fiquei tao irritado com isto que comencei pegar a lingua e pude comencar ate me-comunicar aos poucos. Agradeco este
“tortura educative” que recebi dela.
No inicio quase nao falava Potuguese. A minha vocabulario estava pequeno e era dificil de
comunicar ideas ou ate frases completas. A minha “professora de lingua” era Dona Ivanyce
quem chegou todos as noites na hora de jantar, sentava-se na minha mesa e “gritava” (talvez
pensando que a minha falta de conversa era a surdez, ate que fiquei tao irritado com isto que comencei pegar a lingua e pude comencar ate me-comunicar aos poucos. Agradeco este
“tortura educative” que recebi dela.
Various pessoas me ajudarem no inicio como Olimpio Senna, Itamar Aguiar, e o Mestre Osvaldo quem sempre dava do seu tempo de conversar comigo e mostrar a sua preocupacao pessoal com a situacao precaria e a decadencia da sua querida cidade natalina.
Nesta altura, a estrada BR-242 que iria um dia ate Brasilia era ainda uma linha de barro pois o asfaltamento dela progredindo lentamente estava completo, vindo de Itaberaba so ate mais ou menos a entrada de Ruy Barbosa.
Nesta altura, a estrada BR-242 que iria um dia ate Brasilia era ainda uma linha de barro pois o asfaltamento dela progredindo lentamente estava completo, vindo de Itaberaba so ate mais ou menos a entrada de Ruy Barbosa.
Com pouco tempo na cidade, teve a visita de um outro Voluntario da Paz, vindo de
Salvador de Rural. Ele chegou na estrada perto do ponto conhecido como a “entrada p/Lencois” depois do por do sol e no escuridao nao consegiu achar-la pois esta tal “entrada” parecia mais uma estradinha de terra entrando no meio da mata que talvez iria p/uma fazenda e nao uma entrada atual p/uma cidade. Ele ate passou direto, subindo a serra ate o “Posto” (casinha de taipa e barro com lanterna de kerosene) de Pai Inacio onde recebeu direicoes mais detalhadas e na sua volta achou a estrada de entrada p/Lencois chegando muita tarde da noite e achando a cidade - quase sumida no escuridao, com a sua rede electrica nada mais do que algumas luzinhas pinduradas em postes de madeira como se fosse algums fifozinhos ou vagalumes. Muitos bares teve que manter lanternas de kerosene pois a energia electrica fallava frequentemente especialmente em epocas de seca pois a energia estava toda gerada pelas aguas do Rio Lencois numa pequena hidroelectrica local.
Salvador de Rural. Ele chegou na estrada perto do ponto conhecido como a “entrada p/Lencois” depois do por do sol e no escuridao nao consegiu achar-la pois esta tal “entrada” parecia mais uma estradinha de terra entrando no meio da mata que talvez iria p/uma fazenda e nao uma entrada atual p/uma cidade. Ele ate passou direto, subindo a serra ate o “Posto” (casinha de taipa e barro com lanterna de kerosene) de Pai Inacio onde recebeu direicoes mais detalhadas e na sua volta achou a estrada de entrada p/Lencois chegando muita tarde da noite e achando a cidade - quase sumida no escuridao, com a sua rede electrica nada mais do que algumas luzinhas pinduradas em postes de madeira como se fosse algums fifozinhos ou vagalumes. Muitos bares teve que manter lanternas de kerosene pois a energia electrica fallava frequentemente especialmente em epocas de seca pois a energia estava toda gerada pelas aguas do Rio Lencois numa pequena hidroelectrica local.
Depois da visita do meu conterraneo teve a idea que o que faltava na tal “escondida” estrada
de entrada no mato era pelo menos uma placa que a-indicava a direicao p/Lencois.
Levei a esta minha idea ao um representante do poder publica local. Ele me-disse que a Prefeitura “nao tinha dinheiro” para fazer ou colocar tal placa e quem necisitavam saber o local exata da estrada de entrada no meio do mato p/cidade - ja sabiam….
de entrada no mato era pelo menos uma placa que a-indicava a direicao p/Lencois.
Levei a esta minha idea ao um representante do poder publica local. Ele me-disse que a Prefeitura “nao tinha dinheiro” para fazer ou colocar tal placa e quem necisitavam saber o local exata da estrada de entrada no meio do mato p/cidade - ja sabiam….
Entao decidi que eu mesmo colocarei uma placa na entrada p/Lencois. Consegui madeira e
postes doadas por Sr. Deodato da sua serraria local. A madeira estava serrada numa forma de
“acertos”. Pintei (com tinto tambem doado) os 2 postes - pois vamos ir colocar duas placas - uma na entrada p/BR-242 e outra no entroncamento onde uma outra estradinha virava esquerda p/Remanso.
Com a minha educacao em desenho grafico, eu mesmo pintou as duas placas com o nome
da cidade LENCOIS e a kilomatragem 13KM naquela p/entrada e LENCOIS 4KM para aquela
do entroncamento p/Remanso.
postes doadas por Sr. Deodato da sua serraria local. A madeira estava serrada numa forma de
“acertos”. Pintei (com tinto tambem doado) os 2 postes - pois vamos ir colocar duas placas - uma na entrada p/BR-242 e outra no entroncamento onde uma outra estradinha virava esquerda p/Remanso.
Com a minha educacao em desenho grafico, eu mesmo pintou as duas placas com o nome
da cidade LENCOIS e a kilomatragem 13KM naquela p/entrada e LENCOIS 4KM para aquela
do entroncamento p/Remanso.
Assim que as placas ficarem prontas, este mesmo assessor do Prefeito vem a mim e pediu que in vez de colocar o nome de LENCOIS nas placas seria “mais interresante” de colocar, usando os dois“acertos” os nomes de PALMEIRAS e ITABERABA demonstrando a kilometragem p/estes locais e nao identificando a estrada de entrada como a de Lencois. Achei a sua sugestao sem logica pois a placa era justamente feita p/indicar onde era a entrada p/Lencois.
Mas agora com uma retrospectiva e reflexcao a sua pedida demonstrava a mentalidade dos do poder local de manter Lencois no “escuridao e isolacao” e fora da vida moderna. Os seus
motivos p/manter este controle eram facil de intender depois de saber various aspectos
economicos e politicos mais complexos do lugar que naquela altura nao sabia….
Entao as placas feitas procurava um transporte p/entrada. Infelizmente ninguem ofereceu
uma carona os 13 kilometros a entrada. Ate o jeepao do Mestre nao estava pronta para
fazer esta viajem de “re-descrobimento” da cidade.
motivos p/manter este controle eram facil de intender depois de saber various aspectos
economicos e politicos mais complexos do lugar que naquela altura nao sabia….
Entao as placas feitas procurava um transporte p/entrada. Infelizmente ninguem ofereceu
uma carona os 13 kilometros a entrada. Ate o jeepao do Mestre nao estava pronta para
fazer esta viajem de “re-descrobimento” da cidade.
Sem ter transporte pedi a assistencia de alguns garotos voluntarios. E o nosso pequeno
equipe carregando baude, cemento, pa, poste e a madeira saimos a pe p/andarmos
os 13 kilomteros ate a entrada. Passando na frente da Capela parecia ate a processao do Sr. dos Passos com placa e posto nas costas sobre um sol quente e estrada longa.
Chegamos na entrada onde carvavamos um burraco p/o poste depois, encheimos com pedras
maiores e achando agua num corrego por perto, colocamos o poste com o cemento em baixo.
equipe carregando baude, cemento, pa, poste e a madeira saimos a pe p/andarmos
os 13 kilomteros ate a entrada. Passando na frente da Capela parecia ate a processao do Sr. dos Passos com placa e posto nas costas sobre um sol quente e estrada longa.
Chegamos na entrada onde carvavamos um burraco p/o poste depois, encheimos com pedras
maiores e achando agua num corrego por perto, colocamos o poste com o cemento em baixo.
Assim erguimos a nossa placa “rodoviaria”, com o seu ascerto em direicao a Lencois. Como se fosse uma “bandeira de discobrimento”. Demonstravamos que a cidade, desta dia e diante, nao ficara mais “perdida ou isolada” e com esta placa simbolica abriamos uma “porta de entrada” para um futuro melhor e mais seguro p/todos os Lencoense.
Texto de Steve Horman – Voluntário da Paz em Lençóis em 1970/73 e o seu primeiro projeto.
Postado conforme sua autorização.
Texto de Steve Horman – Voluntário da Paz em Lençóis em 1970/73 e o seu primeiro projeto.
Postado conforme sua autorização.