segunda-feira, 23 de abril de 2012
.....R E F O R M A
.......R E F O R M A
...Material e Espiritual
Imunizado contra gripes, temi não sobreviver à excessiva poeira, e ainda que o barulho advindo da obra fosse suportável, permanecer recluso num quarto quente e sem refrigeração foi imprescindível, não obstante a benesse de lânguidos sopros provenientes das pás de um puído, mas oportuno ventilador.
De preferência e gosto questionáveis, há quem assegure poder decifrar e ouvir como uma maviosa melodia, o som intermitente de um "malhete" fustigando preciso o cimo do "cinzel", e mais, dos cacos de cerâmicas e pedras que se atritam pelo chão, diz captar sutis nuanças de uma provável escala musical. Seria crível, não fosse tão expletivo e beirando as raias do exagero, o Aprendiz que se dizia Mestre, mas em verdade era um simples pedreiro!
Atento às asperezas das "Pedras Brutas" existentes em cada um de nós, iniciado ou não, aceitei o desafio pra acompanhar de perto, pasmem, a reforma do nosso apartamento em Salvador, a Capital dos Orixás. Vale frisar que o "repicar" do bendito martelo chegava aos meus ouvidos como "pancadas", apenas, e tão somente os "espirros" em profusão guardavam similaridade rítmica, oriundos das matérias em suspensão.
Edifiquei "Templos às Virtudes" e trilhei com segurança os caminhos da honradez, e pra tanto usei com destreza ferramentas, como: a régua; a trolha; o prumo e o compasso, dentre outras, mas confesso que apesar da sabedoria peculiar dos qualificados "Pedreiros do Universo", não fui capacitado pra lidar com instrumentos não virtuais, como os da construção civil, utilizados pra erguer o Grande Templo de Salomão!
Azulejos revestiam de branco e enchiam de graça a nossa cozinha, entretanto, ameaçados de serem expulsos pela exaustão da comprometida argamassa, arriscaram das paredes já sem algumas pedras, fuga coletiva, inda que decorrente da precipitação, todos se transformassem em entulho, com destino a um lixão.
Foi imperioso tentar salvar da extinção parte daquelas relíquias, em vão, posto que sem triagem foram trituradas pelos fortes golpes de "malhetes" que o desvairado e falso "obreiro", bramiu sem compaixão!
Amante de flores raras, colhi há trinta anos uma "acácia" que doei pra Cássia, e pus ambas no meu jardim. À época reformei pra nosso deleite, não um suntuoso apartamento, contudo, uma casa simples, humilde e de um quarto, só, que foi suficiente para nos abrigar e à nossa recém nascida, minha primogênita Milena.
Construía ali, algumas das "colunas" que deram sustentação a um longo convívio de amor, respeito e união!
REFORMANDO, crônica baseada em mistérios maçônicos, descreve com sutileza a rotina dessa obra, e meu envolvimento em suas etapas, a exemplo de uma outra que protagonizei com o mesmo fim, no passado. Dignos de elogios são os criadores desse projeto familiar, os moradores do apartamento, meu filho Ricardo e a esposa Marina, aos quais desejo até pelo mérito dos resultados: Saúde, Sabedoria e Amor!
O ser humano, por certo a maior obra de arte do criador, se rende à força natural da perpetuação, e procria! Surgi dessa fórmula mágica, depois vi dos meus rebentos os seus filhos nascerem, esses meus netos que tanto amo, e o milagre da multiplicação da espécie me fez repensar a vida, ou melhor, a minha vida, a qual julgava ter vivido muito mais do que me tinha reservado o Grande Arquiteto! Ah, como estava enganado...
F i m
Rômulo > 28/03/2012
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