sexta-feira, 30 de abril de 2010

......COMO UM JOVEM IDOSO

.............................Caros Leitores...

Essa mensagem tocou-me profundamente, por isso resolvi e fiz esse comentário que espero sensibilizar quem porventura falte com o devido respeito a um idoso!

A longevidade nem sempre premia de forma justa àqueles que resistiram como bravos à ação do tempo, e os nossos idosos, em grande número, são relegados a viverem na exclusão social.
A velhice não é um mal, entretanto muitos chegam com ela, dentre eles, o descaso e o abandono. Essa maldade que transforma e torna invisível o ser humano como veremos no texto abaixo, é uma vergonha, mormente se oriundo dos familiares. Apesar do meu repúdio, sei que o fato é mesmo crível.

O Mito da Invisibilidade - crônica postada em www.romulobispo.blogspot.com é verossímil tão somente para com os maus políticos, os prepotentes e arrogantes que se fazem notar pelo poder, ainda que efêmero. É inadmissível que se dê tratamento igual para com nossos velhinhos que certamente se doaram, tanto aos filhos, quanto aos seus netos, orientando-os na formação de suas cidadanias.

A sociedade terá de repensar esses valores, até porque não somos mais um país de tantos jovens, e a expectativa de vida é crescente e as pesquisas comprovam.
Estou convicto de que um idoso pode até prescindir do pão que o alimenta, e ainda sobreviver; embora morra sua alma se lhe faltar: Atenção, Carinho e Amor!

Quiçá sejamos vistos um dia, não apenas como “velhos”, mas como idosos dignos do respeito de nossa família e da atenção daqueles que dirigem o destino da Nação.

Grande abraço,
Rômulo Bispo dos Anjos.

.....................“A Idosa Invisível”

NOTA –
O comentário acima diz respeito a uma reflexão, embora creia verdadeira, sobre uma velhinha que de tanto ser ignorada pela família, sentiu-se como invisível fosse, pois não interagia com ninguém apesar das várias tentativas de aproximação que fazia.
Sentiu também perder sua voz, já que não a escutavam. Um dia comentou: “Quando eu morrer vocês vão se arrepender”. Ao que o netinho disse: “Você está mesmo viva, vovó”?! Sozinha, buscava a paz do seu pequeno desvão onde dormia.
Um dia os garotos alvoroçados diziam que todos iriam passar o dia seguinte no campo. Ela acordou cedo naquele sábado e começou a arrumar suas coisas para a viagem. As crianças agitadas levavam para o carro que já os aguardava no jardim, seus brinquedos e tudo que usariam no passeio. De repente o carro saiu e ela notou que não havia sido convidada.
Talvez porque seus passos não acompanhariam os dos demais e assim seria um incômodo, talvez porque não houvesse lugar para ela, ou mesmo porque não a queriam junto deles naquele dia que ela tanto esperou chegar. Seria um passeio ao ar livre o que há muito tempo não fazia.
Sentiu seu rosto contorcer-se para conter o choro, mas não conseguiu. Decidiu perdoar-lhes até quando foi impedida de beijar sua netinha para que não a contaminasse. Coisas da saúde, diziam enfáticos os filhos que ela tanto beijara.

Afinal, tendo reconhecido que de fato se tornara invisível, aquela velhinha se recolheu e não mais tentou convencê-los de que estava viva, sem antes perdoar a todos os seus familiares.

LENÇÓIS – BA, 30/04/2010