Apesar do avanço científico e tecnológico, ainda assim não há indícios da invisibilidade humana, nem mesmo pelo mais famoso ilusionista do mundo, o mágico Harry Houdine.
Há momento em que essa fantasia se evidencia quando nos deparamos com pessoas prepotentes, a exemplo de alguns arrogantes políticos nossos de cada dia, que aos olhos dos homens de bem e simples, se tornam de fato invisíveis, e por instantes o mito vira realidade. Indiferença é o prêmio cabível àqueles que a custa dos incautos conseguem um efêmero poder, e ainda assim, usam-no quase sempre a serviço da mesquinhez e da perseguição.
É preconceituosa e inaceitável a postura de muitos detentores de privilégios, a exemplo de alguns políticos, os quais envaidecidos pelo cargo distanciam-se e relega quase à exclusão social, aqueles a quem em visitas eleitoreiras, chamava de "Meus Parceiros da Mudança".
Relutei em não tornar pública uma experiência com vivência própria, onde pude ser admirado e respeitado, apesar de não ostentar nenhum cobiçado título público. Ao usar a Régua e o Compasso como instrumentos básicos edifiquei meu caráter e conceito, sem a presunção do fausto e nem do falso e transitório poder. Um líder nato não dita, ele conduz seu povo em direção ao rumo certo, e o reconhecimento do seu poder aflora naturalmente sem ostentação e sem arbitrariedade. Aceitar ser derrotado é menos sofrido que ser um vencedor frustrado.
A experiência veio contrariar a máxima de que somos vistos e ou apenas reconhecidos tão somente pelo que exercemos e de como nos apresentamos, e até pela nossa indumentária. Sem o costumeiro e imponente terno preto, peculiar e freqüente nas Oficinas Maçônicas; sem o habitual e necessário traje Esporte-Social das festas comunitárias ou mesmo a informal camiseta e bermuda do dia-a-dia, me fiz um jardineiro, descamisado, com um surrado calção. Ansiava pelo desafio de eu mesmo, projetar e construir o jardim de minha casa. No primeiro dia, inseguro, mal conseguia usar as ferramentas que em nada lembravam os computadores que com habilidade tanto utilizei quando da minha vida funcional no Banco do Brasil. Para minha surpresa o trabalho fluía e muito bem. Os transeuntes nas suas idas e vindas cumprimentavam-me e demonstrando carinho, diziam sempre: “Parabéns pela criatividade”.
Todas as pessoas, velhos, jovens e até as crianças, ao me verem agachado no jardim, sempre tinham palavras de incentivo, e isso me fez refletir. Na verdade, apesar de suado e sem camisa, eu sempre era enxergado por eles e em nenhum momento senti a sensação de invisibilidade. Deduzi que não basta ao povo que alguém esteja em traje de gala e usando de inflamada oratória para que seja realmente visto e notado. É preciso que a sabedoria sobreponha à arrogância e que a humildade o torne visível não pelo poder que detém, mas sim pela maneira inteligente de como usá-lo. O que torna o homem invisível são suas ações antagonistas e radicais. O resto, é mito.
Ao elogiarem o meu trabalho, diziam: “Você cuida muito bem do seu jardim". Respondia-lhes: Não o faço só pra vê-lo atraente, mas, sobretudo pra retribuir o apoio de todos vocês, a quem chamo sem demagogia, "Meus Parceiros da criatividade".
A experiência da jardinagem foi fantástica, pois proporcionou-me além de um grande número de novos amigos, derrubar o mito da invisibilidade humana, à excessão do mau político.
Construindo o JARDIM, embelezei minha CASA, mas em verdade, exaltei o meu LAR.