quarta-feira, 3 de junho de 2009

E S C O T I S M O - Lençóis - BA


E S C O T I S M O - Uma opção inteligente!

Baden Powell, um famoso Lorde inglês, idealizou e criou esse movimento em 1907. Sua primeira experiência como líder foi quando acampou com vinte jovens e teve a oportunidade de ministrar-lhes conceitos de primeiros socorros, de observação, orientação e segurança. A idéia foi um sucesso e o escotismo cresceu e se espalhou por vários países do mundo. O movimento é de caráter educacional, sem fins lucrativos, e tem como objetivo principal, levar aos jovens a chance de desenvolverem valores baseados na amizade, respeito, fraternidade e sempre cuidar do meio ambiente em respeito à natureza.

Escoteiros - Tropa Baden-Powell.

O grupo de escoteiros de Lençóis foi fundado por David Blackboard, um americano a serviço no Brasil como Voluntário da Paz e o Sr. Olímpio Senna, um nosso conterrâneo. Tínhamos presença garantida nas excursões, pois os nossos pais confiavam nos líderes. Sempre à noite, ao redor de uma fogueira e depois de cantarmos o Hino aos Escoteiros, éramos liberados pra brincar. Na verdade, as atividades lúdicas quase todas eram direcionadas de maneira sutil ao aprendizado do grupo. Pra nós, tudo bem! As boas ações, pré-requisito de um autêntico escoteiro, eram praticadas às vezes ao final das brincadeiras quando aprendíamos a fazer Torniquetes, Macas e Tipóias. Isso na verdade nos servia como verificação de aprendizado, e motivados, até parecíamos ser, artesãos.

A fitoterapia, exigida no simulado de sobrevivência no mato, a orientação pelos astros, e o uso com eficiência dos “Nós de Escoteiros”, fazia-nos sentir em segurança. Reflito: Deus, o bom Pastor, teria sido escoteiro um dia? Por certo, que não. Mas, nos protegia.
Não se registrou na história da Tropa Baden Powell, em Lençóis, um caso sequer de ataque por cobras, animais de hábito noturno e nenhum incidente que viesse nos amedrontar. Contarei alguns episódios do nosso dia-a-dia, também verificados à noite! Às margens do Rio São José, montamos acampamento na propriedade Curupaiti. Estávamos todos na formação do círculo do fogo, quando quebrando regras, canta o desentoado companheiro de patrulha, Humberto, divergindo do Hino Nacional por nós entoado, uma música de cunho imoral. O chefe David se irrita e mesmo com seu parco português, entende também que os gestos e palavrões eram a ele dirigidos e pune o indisciplinado por desrespeito também à Pátria. A noite fria e o vento faziam companhia aos chefes que à porta da Casa de Farinha, montavam guarda. Acordamos já em alta madrugada com choro e gritos de dor, vindos do cantor de meia tigela que adoentado, foi levado nas costas pelo chefe por quilômetros até a cidade. Às vezes as lições eram a nós repassadas, pelas atitudes virtuosas dos empenhados líderes de nossa Tropa.

As barracas de lona e com listras verdes foram erguidas, dessa vez no Sítio de Dona Ponem, na trilha Pai Inácio - Lençóis. A anfitriã destemida, mas não tão grande quanto nos parecia, com uma espingarda às costas se dizia ótima caçadora de pacas e mocós.
Depois das aulas teóricas e aplicação de testes pelos Monitores, atendendo ao seu chamado, corríamos para a natureza, que sem modéstia abria-se para nós como se uma Faculdade de Ciências fosse, e disso soubemos tirar proveito. Cada planta, flor ou inseto nos fazia vivenciar na prática, tudo aquilo que teoricamente nos fizeram aprender. Saciados com as delícias do saber, quase nos esquecemos do chão sob as mangueiras, repleto de frutos a nos esperar. Não satisfeito abri a lata de sardinhas, marca Coqueiro, e comi todas elas com um pão amassado e cheirando a mofo. Minha língua não parava de inchar e já sem poder falar, apontava a lata de conservas que vencida deveria estar. Chateado e sem querer voltar, vi minha língua que na boca já não cabia, e aterrorizado, me pus a chorar. O choro não era de dor e sim de pânico pois temia não poder respirar.

Os escoteiros são divididos em grupos, de acordo com suas idades. No Brasil, temos a seguinte divisão: Lobinho (7 a 10 anos), Escoteiro (11 a 14 anos), Sênior (15 a 17 anos), e Pioneiro (18 a 21 anos). Um jovem que se apoiado pela família conseguisse infiltrar nesse movimento, aprenderia dentre outras coisas a respeitar os símbolos nacionais, teria obediência aos chefes não por temê-los, mormente para absorver as orientações. Pratiquei escotismo dos onze aos catorze anos e fui um Sub-Chefe da Patrulha Leão.

Muitos amigos de infância, escoteiros de outrora, se lançaram ao mundo, hoje cidadãos. Com a determinação de um escoteiro que fui, afirmo não ter o tempo conseguido fazer-me esquecer os ensinamentos adquiridos. Uma vez escoteiro, sempre um escoteiro. Quisera contentar-me com suas lembranças sem que preciso fosse citar seus nomes. David e Olímpio, nossos líderes, Alberto Morais, Pedro Paulo, Raimundo Barros, Hilton Alcântara, Joilson, Sinval, meus irmãos, Augusto e Pedro, João de Neuza, Renato Rôla, José David, Jânio e tantos outros. Sou solidário aos amigos contemporâneos, que obstados por pais possessivos e inscientes, deixaram de participar desse movimento sabidamente sério e tão útil para a socialização e formação do caráter de um cidadão. A cada amigo citado, uma saudade. A cada excursão realizada, uma experiência de vida.

Dedico esse texto a Davi Americano, assim o chamávamos, não apenas por nos ter chefiado, sobretudo por ele ter surgido em nossas vidas com ideais e propósitos de nos ajudar. Também o escrevi em homenagem a todos os escoteiros do passado pelas boas ações praticadas por eles no escotismo, e principalmente junto à nossa comunidade.

O lema do escoteiro “Sempre Alerta” ou “Be Prepared” (esteja preparado), contrariando a lógica, pouco serviu ao competente Chefe dos Escoteiros, ante a morte sorrateira que em segundos tirou-lhe a vida, num estúpido acidente com uma descarga elétrica naquela chuvosa noite de temporal. (Fato ocorrido anos depois, já em Recife, sua última residência no Brasil.

Obrigado, Sir David por nos preparar pra sermos probos cidadãos.

Almejo que a idéia de revitalização do Escotismo em Lençóis seja de fato exequível, e que o novo movimento possa ser liderado também por homens livres e de bons costumes, como bem o fez Edgar (Gadu), num passado recente.

Rômulo Bispo. “SEMPRE ALERTA PARA SERVIR” Deus, Amor e Pátria.


03.06.2009


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4 comentários:

  1. Esse era um tempo bom, onde os ensimanetos do chefe, transformava muitos jovens em cidadões de boa contuda,respeito ao meio ambiente e a socidade.São poucos o jevens que sabem que aqui tivemos um grupo de escoteiros, pois estou sabendo agora e só sabia do grupo no qual eu fiz parte criado pelo nosso amigo Gadu.Lembro dos encontros com outros grupos que acampavam no clube e trocavamos nosso conhecimentos, as melhores historias era dos acampamentos e do famoso coreodor polones kkkkkkkk, mas sendo sicero todos os momentos eram bom demais, ficava a espera do horario das reuniões pois lá sabia que encontrario meus amigos e aprederia muitas coisas boas.
    Parabens mais uma vez meu amigo por seus comentarios fazendo com que relembremos dessas histrias.

    abraços e sempre alerta.

    kikiu

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  2. Rômulo, foi com surpresa que encontrei um e-mail com seu nome em minha caixa de entra, pois fique sabendo que foi muito bom encontrá-lo e o endereço do blog. Gostei muito das fotografias e inclusive gostaria de possuir cópias mais nitidas e caso você possua outras envi-as para mim.Fiquei muito emocionado em vê-las e as narraçoes sobre fatos de nossa infância. Suas narrações são perfeitas, que facilita nossa leitura.
    Abraços,
    Renato Rôla

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  3. Ontem, crianças... Hoje, grandes HOMENS!!!

    Deixo meus parabéns a David Blackboard "in memorian", pelos seus ensinamentos e conduta.

    Sem dúvida um exemplo a ser seguido!!!

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  4. Infância que o tempo não apagou pois as lembranças foram tantas que você as recordou nesse belo contexto onde pude perceber que a nossa pequena e pacata cidade um dia possuio em seu seio um grupo de escolteiros algo que digo a você meu amigo: Sempre tive curiosidade de saber como seria a experiência, mas a minha infância foi marcada por gincanas nas escolas, garrafão nas ruas, era maravilhoso brincar de salva vida, cai no poço, bandeirinha, rodas etc, foram tantas que para mim foram especiais por de +, ser criança é um direito que todos nós seres humanos devemos ter, lendo aqui chego a conclusão de que nós devemos deixalas viver o seu momento claro que com moderação..

    Ítalo Dourado

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