......................Meio Ambiente
A histórica Lençóis na Chapada Diamantina deve seu nome às brancas espumas que roladas nos seixos do Rio Serrano, desciam rápidas e da sua junção remete-nos a confundi-las com imenso lençol branco em épocas de não raras cheias.
A histórica Lençóis na Chapada Diamantina deve seu nome às brancas espumas que roladas nos seixos do Rio Serrano, desciam rápidas e da sua junção remete-nos a confundi-las com imenso lençol branco em épocas de não raras cheias.
O verde peculiar ao seu redor, os rios que outrora esbanjavam riquezas com jazidas minerais preservadas, sofreriam em breve pela ganância de exploradores irresponsáveis, que sem nenhum manejo volveriam com máquinas e em busca do diamante, seus leitos que sucumbiriam tragados pela ação das dragas poluidoras.
De família sem tradição mineradora, sou o penúltimo dos dez filhos; viemos com nosso saudoso pai e fomos recebidos pelos nativos que em 1959, nos acolheram como se filhos da terra, fôssemos. Foram anos memoráveis, pois aprendemos que os homens podiam ficar ricos não apenas pela extração do minério, mas também por evoluírem intelectualmente. O respeito que tivemos pela mãe terra, fez de nós, uma grande família.
A Chácara São Benedito onde morávamos foi preservada, e ali cultivávamos sem agrotóxicos nossos saudáveis alimentos. Plantávamos desde as hortaliças, até a mandioca com a qual fazíamos em oficina própria, a farinha e muitos de seus derivados.
Por tradição, o garimpo de serra era sem dúvida o sustentáculo daquela população; garimpeiros aprendiam desde cedo, a arte de revolver barrancos à procura do diamante.
A exploração em nada prejudicava o meio ambiente, posto que o garimpo manual como é sabido, tem seu momento maior às épocas das cheias quando o cascalho trazido pelas enchentes, afloravam entre as trinchas, facilitando assim a busca pelo precioso minério.
A ambição pelo enriquecimento rápido fez mudar a rotina da pacata cidade, quando de repente chegaram com imensas máquinas, as conhecidas dragas, homens vindos de toda a região inclusive de outros Estados, causando danos irreparáveis àquele santuário ecológico.
A Chácara São Benedito onde morávamos foi preservada, e ali cultivávamos sem agrotóxicos nossos saudáveis alimentos. Plantávamos desde as hortaliças, até a mandioca com a qual fazíamos em oficina própria, a farinha e muitos de seus derivados.
Por tradição, o garimpo de serra era sem dúvida o sustentáculo daquela população; garimpeiros aprendiam desde cedo, a arte de revolver barrancos à procura do diamante.
A exploração em nada prejudicava o meio ambiente, posto que o garimpo manual como é sabido, tem seu momento maior às épocas das cheias quando o cascalho trazido pelas enchentes, afloravam entre as trinchas, facilitando assim a busca pelo precioso minério.
A ambição pelo enriquecimento rápido fez mudar a rotina da pacata cidade, quando de repente chegaram com imensas máquinas, as conhecidas dragas, homens vindos de toda a região inclusive de outros Estados, causando danos irreparáveis àquele santuário ecológico.
A paisagem não mais conservava o esplendor do verde farto. Apareceram grandes crateras poluídas pelo óleo combustível, que lagoas piscosas poderiam ser se aqueles garimpeiros tivessem a consciência ecológica por uma extração sustentável que minimizariam o impacto ambiental. Não foi o que vimos e a natureza gritava pelo socorro que demorava a chegar.
Pequenos rios foram sufocados por restos de cascalhos, os concorridos rabos de bica, que já sem suas gemas maiores eram de novo mexidos por garotos, filhos de pais garimpeiros que tentavam faiscar algumas pedras perdidas. Todos os “mosquitos” ou pequenos diamantes ali encontrados seriam vendidos aos lapidários.
Ações isoladas deram início a uma grande mudança e pessoas se mobilizaram voltadas a uma preservação ambiental que não mais poderia esperar. Grupos de trabalhos foram criados e com a participação Estadual e Federal, os garimpos de dragas foram proibidos.
Ações isoladas deram início a uma grande mudança e pessoas se mobilizaram voltadas a uma preservação ambiental que não mais poderia esperar. Grupos de trabalhos foram criados e com a participação Estadual e Federal, os garimpos de dragas foram proibidos.
Nosso município teve revitalizado o seu ecossistema, e novas perspectivas foram criadas. Tombada como Patrimônio Histórico e Cultural, tem seus suntuosos casarões conservados e se torna uma realidade o turismo sustentável. Os frutos dessa mudança são imediatos e surge como em passe de mágica a consciência pelos moradores na defesa das riquezas naturais quase extintas pela ação do extrativismo predatório.
Orgulho-me por ter participado do redirecionamento sócio-econômico de nossa comunidade com o advento do turismo. Também vivenciei em família a experiência de extrair da terra tudo que dela necessitávamos, sem que fosse preciso depredá-la.
A chácara São Benedito, agora transformada na pousada “O Solar dos Moraes”, continua cercada por árvores frutíferas, e ainda podemos apreciar as águas límpidas onde tomávamos banho em época de verão, do tradicional córrego, “O Lava Pés”.
De novo o verde!
A cidade preservada é um patrimônio de todos, e isso demonstra que a luta não foi em vão, quando garimpeiros, nativos e empresários se irmanaram pra fazer do passado, um rico presente para o futuro de Lençóis, hoje importante Centro Turístico da Chapada.
23.07.2008
Lençóis – Bahia.
Autor – Rômulo Bispo dos Anjos.
A chácara São Benedito, agora transformada na pousada “O Solar dos Moraes”, continua cercada por árvores frutíferas, e ainda podemos apreciar as águas límpidas onde tomávamos banho em época de verão, do tradicional córrego, “O Lava Pés”.
De novo o verde!
A cidade preservada é um patrimônio de todos, e isso demonstra que a luta não foi em vão, quando garimpeiros, nativos e empresários se irmanaram pra fazer do passado, um rico presente para o futuro de Lençóis, hoje importante Centro Turístico da Chapada.
23.07.2008
Lençóis – Bahia.
Autor – Rômulo Bispo dos Anjos.
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