quarta-feira, 12 de setembro de 2012

FANATISMO - Político

...FANATISMO - (POLÍTICO) Como em todas as cidades Brasil afora, também se insere a nossa, entre aquelas em que acima da vontade política do eleitor, existe a predisposição pra "enDEUSar" candidatos, atribuindo-lhes qualidades que sabidamente são virtudes inerentes aos homens honestos. Enquanto a mídia enaltece o "candidato ficha limpa", aqueles que deveriam fazer cumprir com lisura essas leis tão bem-vindas, as burlam, e acima do bem e do mal, referendam como postulantes a cargos eletivos, suspeitos de fraudes e de improbidade administrativa. Como já dizia Boris Cazoy e por certo se aqui estivesse, falaria: "Isso é uma vergonha" Não tenho a pretensão do dom da clarividência, entretanto, antevejo o resultado das próximas eleições, até pela postura anti-ética de candidatos que roubam, mormente em época de campanha política, a consciência dos eleitores, em sua maioria, inscientes, que induzidos por eles, vendem a única arma democrática de defesa que possuem; seu voto! Indubitavelmente, vencerá também nas urnas, aquele que apesar de ser considerado presa fácil, com competência e segurança, souber se impor perante os seus adversários. A convicção do êxito será pertinente àquele que despojado do assédio habitual, artifício utilizado por muitos, fizer amigos correligionários, e não apenas, vis, seguidores fanáticos. Como agentes motivadores do fanatismo, destaco: futebol, religião e política. Dos três, o mais pernicioso deles, o político, consegue anular do incauto eleitor, sua identidade, e o escraviza. Senhor das verdades, ele não é capaz de discernir o "bem do mal", ou ainda, num lampejo de sanidade, aceitar de cidadãos normais, sugestões e críticas construtivas. Do fanático político, qual navalha, sua língua fere, e dos sulcos deixados, poucos deles cicatrizam. Falaz, sorri como uma hiena, e a sua postura lembra o bote de uma cascavel. Afeito à subserviência, seus frutos políticos são de serventia discutível, inda que seja visto pelo grupo, como elo de sustentação. Qual uma cobra cega, serpenteia, mas não assusta. Fanatismo é um caso de saúde pública, e os portadores dessa doença, que nem sempre são pessoas incultas, como doentes, deveriam ser tratados. Muitos deles, não raro, ostentam diploma acadêmico, mas são marionetes, e como bonecos, são manipulados. Nas campanhas, desprezam antigas amizades, mas idolatram qual um ídolo, o candidato. É decepcionante ver que à semelhança dos Eleitores Fanáticos, também os Puxa-Sacos, por "escusas motivações", se rendem aos benefícios de candidatos ímprobos e corruptos. A "Paixão" doentia que povoa a mente de um Fanático Político, lhe rouba os sentimentos, tira dele o sentido real da palavra Justiça, e destrói valores que deveriam ser preservados: - Amor a si Próprio, à Democracia e ao Cidadão, inda que seja ele seu adversário político! Por Rômulo > 09/2012

terça-feira, 4 de setembro de 2012

....ANIVERSÁRIO

F E L I Z .. A N I V E R S Á R I O. Quem nunca ouviu frase igual, quase um jargão, proferida por familiares e amigos de fato, em momentos especiais que marcaram nossas vidas?! Me recordo, sim, inda que de sua essência, não tivesse compreensão plena, ela lembrava: festas; bolos; doces e algazarra, mas, interagir com os convidados era muito mais importante do que as fartas guloseimas. Aniversário é um encontro festivo, onde as crianças e os idosos se lambuzam ao comer! Quando criança, poucas foram as vezes em que festejaram o meu aniversário, contudo não esqueciam os meus pais, que naquela data, eu havia nascido. Abraçados a mim, me desejavam saúde, e os beijos protagonizavam a frase do tipo: Feliz aniversário, meu filho. De prole numerosa, jamais lhes reivindiquei outra manifestação, senão de carinho e amor. Aniversário é um encontro festivo, onde normalmente os convidados esquecem o regime! Ter sido um filho pródigo, foi tão ou mais significativo para o meu "velho", que os beijos e abraços ocasionais a ele dirigidos por mim, no Dia dos Pais. Fui seu admirador, e o amei como a um irmão, até, posto que também era um maçom. Homem de conduta ilibada, dispensava os elogios, e sabia disfarçar se os ouvia, virtude inerente aos homens probos. Busco esconder meu visível embaraço por ser o alvo da comemoração, agravado pelas congratulações do Dia dos Pais; sendo um deles e mesmo que orgulhoso, fico deprimido. Doze de agosto de 2012 - cinquenta e nove anos de vida e realizações. Vou mais longe! Aniversário é um encontro festivo, onde se comemora a vida, e não alguns anos de vida! Não questiono que existam Pais e Filhos Especiais, apenas repudio a convenção que diz ser o segundo domingo de agosto, considerado o todo especial - "D i a d o s P a i s". Ora, Especiais a meu ver são todos os Dias enquanto Pais e Filhos no exercício da cidadania, e unidos, se respeitarem sempre, justificando portanto, os festejos em família do tão comemorado evento -"Dia dos Pais"- Se você, leitor, for também um Pai, parabéns. Nas confraternizações, que resplandeça o amor sincero, razão maior desse Dia Especial. Pelo meu aniversário e por mera coincidência, também no Dia dos Pais- 12/08/201. Por Rômulo. Fim

segunda-feira, 23 de abril de 2012

.....R E F O R M A

.......R E F O R M A ...Material e Espiritual Imunizado contra gripes, temi não sobreviver à excessiva poeira, e ainda que o barulho advindo da obra fosse suportável, permanecer recluso num quarto quente e sem refrigeração foi imprescindível, não obstante a benesse de lânguidos sopros provenientes das pás de um puído, mas oportuno ventilador. De preferência e gosto questionáveis, há quem assegure poder decifrar e ouvir como uma maviosa melodia, o som intermitente de um "malhete" fustigando preciso o cimo do "cinzel", e mais, dos cacos de cerâmicas e pedras que se atritam pelo chão, diz captar sutis nuanças de uma provável escala musical. Seria crível, não fosse tão expletivo e beirando as raias do exagero, o Aprendiz que se dizia Mestre, mas em verdade era um simples pedreiro! Atento às asperezas das "Pedras Brutas" existentes em cada um de nós, iniciado ou não, aceitei o desafio pra acompanhar de perto, pasmem, a reforma do nosso apartamento em Salvador, a Capital dos Orixás. Vale frisar que o "repicar" do bendito martelo chegava aos meus ouvidos como "pancadas", apenas, e tão somente os "espirros" em profusão guardavam similaridade rítmica, oriundos das matérias em suspensão. Edifiquei "Templos às Virtudes" e trilhei com segurança os caminhos da honradez, e pra tanto usei com destreza ferramentas, como: a régua; a trolha; o prumo e o compasso, dentre outras, mas confesso que apesar da sabedoria peculiar dos qualificados "Pedreiros do Universo", não fui capacitado pra lidar com instrumentos não virtuais, como os da construção civil, utilizados pra erguer o Grande Templo de Salomão! Azulejos revestiam de branco e enchiam de graça a nossa cozinha, entretanto, ameaçados de serem expulsos pela exaustão da comprometida argamassa, arriscaram das paredes já sem algumas pedras, fuga coletiva, inda que decorrente da precipitação, todos se transformassem em entulho, com destino a um lixão. Foi imperioso tentar salvar da extinção parte daquelas relíquias, em vão, posto que sem triagem foram trituradas pelos fortes golpes de "malhetes" que o desvairado e falso "obreiro", bramiu sem compaixão! Amante de flores raras, colhi há trinta anos uma "acácia" que doei pra Cássia, e pus ambas no meu jardim. À época reformei pra nosso deleite, não um suntuoso apartamento, contudo, uma casa simples, humilde e de um quarto, só, que foi suficiente para nos abrigar e à nossa recém nascida, minha primogênita Milena. Construía ali, algumas das "colunas" que deram sustentação a um longo convívio de amor, respeito e união! REFORMANDO, crônica baseada em mistérios maçônicos, descreve com sutileza a rotina dessa obra, e meu envolvimento em suas etapas, a exemplo de uma outra que protagonizei com o mesmo fim, no passado. Dignos de elogios são os criadores desse projeto familiar, os moradores do apartamento, meu filho Ricardo e a esposa Marina, aos quais desejo até pelo mérito dos resultados: Saúde, Sabedoria e Amor! O ser humano, por certo a maior obra de arte do criador, se rende à força natural da perpetuação, e procria! Surgi dessa fórmula mágica, depois vi dos meus rebentos os seus filhos nascerem, esses meus netos que tanto amo, e o milagre da multiplicação da espécie me fez repensar a vida, ou melhor, a minha vida, a qual julgava ter vivido muito mais do que me tinha reservado o Grande Arquiteto! Ah, como estava enganado... F i m Rômulo > 28/03/2012

quarta-feira, 11 de abril de 2012

P O S T O - F I S C A L

POSTO FISCAL DE COQUEIROS


Confesso não ser saudosista, entretanto, relato da minha infância fatos adormecidos, o que me parece justo, posto que resgato relevantes trechos com experiências adquiridas, e concomitante, trago à luz da evidência para enriquecer o texto, outros episódios, dos quais apenas me inseri como coadjuvante. Omiti nomes de personalidades por uma questão ética.

Se faz mister frisar pra melhor compreensão, "espaço" e "tempo", os motivadores dessa narrativa! Construído na BR 242, o Posto pertencia desde 1959 a Andaraí para Arrecadação e Fiscalização. Naquela unidade, serviram vários agentes, dentre eles o meu saudoso pai Isidoro, que ao se aposentar contava com mais de quarenta anos de bons serviços prestados.

Como em toda Repartição Pública, funcionários se destacam, mas ali, não era apenas pela excelência no serviço, coisa rara naquele Posto. Usando de ardis, o "Gordo" que perdeu seu prenome pela aparência obesa, praticava atos abomináveis. Certa vez e não foi a única, fez retornar no seu plantão, um motorista e seu caminhão de carga, numa operação padrão, lícita, não fosse pelo abuso de poder. Coagido, o cidadão usou a marcha ré por quase mil metros, e ainda sob a mira do revólver de um presunçoso policial. O "modus operandi" lhe fez confrontar com a Lei do Retorno!

Com atuação semelhante e compleição física idêntica à do primeiro, outro Agente agia de má fé no exercício da função, sem que fosse punido, pois burlava a segurança e era amigo de um Segurança forte, cujo nome rima com Sorte ou com Poste, enfim, com algo de grande Porte! Citações à parte, o guarda corrupto não sabia mesmo ser ético, e surripiava das cargas que apreendia, produtos diversos, e os colocava à venda sem escrúpulos, pasmem, no seu ponto comercial.

Naquela Unidade, presenciei fatos e escutei estórias que envolviam Deus e até o próprio Diabo, mas morria de medo de um reles cemitério abandonado, onde sequer havia quem sepultasse nas covas rasas, os raros defuntos, enterrados pelos infortunados parentes. A cerca, inda que de arame farpado não continha dos cães famintos, os saques nas sepulturas recentes, sacrilégio testemunhado por bougainvilles, e pelas flores brancas de abundantes jasmineiros.

Estrategicamente dispostos naquele trecho da BR 242, "cavaletes" pintados de amarelo e preto, impediam dos carros maiores, sua acessibilidade, mas guardavam entre si, espaço livre para os demais veículos, inexplicavelmente obstado pela urna fúnebre deixada ao relento, e que ocupava literalmente, o vão existente entre os mesmos!

Era meia noite naquela noite sem lua, e portanto, escura, quando o féretro seguido de familiares do morto se aproxima do Posto, e quebra o silêncio da madrugada. Findas as cantigas lamurientas, as lágrimas cessaram e deram lugar às piadas de mau gosto, apesar dos aplausos. Alcoolizados, ainda assim, degustavam as sobras dos Biscoitos Sentinela, regados a generosas doses de pinga, servidas do Bar de Juvenal, e num lampejo de lucidez, se levantam e correm ao encontro da falecida, que inerte e fria, aguardava sobre os cavaletes, chegarem os algozes que a levaria pra o calvário!

Imaginem do vigia o seu semblante, no exato momento que abria os cavaletes para os carros transitarem! Pensava ele:
"Que coisa mais esquisita, meu Deus" - apelou pra a divindade, pois sentia medo, mas quando iluminou o pálido rosto do defunto, sentiu prazer e satisfação; era ela, a sua mui querida sogra! Ignorando as normas, se juntou aos bêbados e pessoalmente, testemunhou o enterro da "Jararaca". Não creio que tenha o Preto, chorado a morte de Inês, a "Branca".

A iluminação emanava de um velho lampião Petromax que requeria do operador, certa habilidade ao ajustar a camisinha de aparência frágil. Quando incandescente, clareava toda sala e uma mesa onde se podia ver por detrás dela, sentado a trabalhar, um dos mais queridos e respeitados agentes do Posto de Coqueiros, meu velho Pai. Na verdade, "Velho" é um reforço de expressão, gentil de minha parte, pois era jovem e bem humorado, razão pela qual sempre "aprontava".

Divergindo das movimentadas estradas atuais, no trecho da rodovia onde instalaram o Posto Fiscal, o trânsito não era intenso, e foi daí que pra quebrar a monotonia, o guarda Izidoro articula pra apavorar o vigia, coitado, sempre ele, um plano assustador... Atada a um longo barbante, uma lata vazia foi colocada na parte mais alta da ladeira, de onde descia em intervalos previamente calculados, pelo asfalto, puxada pelas mãos de um guarda astuto e irreverente!

Deslizando pelo asfalto, a lata emitia um som metálico consequência do atrito, e que era potencializado pelo silêncio da noite, quebrado pelo canto nada mavioso de uma coruja. Não obstante o medo, cabia-lhe desvendar o mistério, e cauto, ao reiniciar o irritante barulho, ele "cai de pau" na lata que machucada, se cala. Preto, o vigia "moreno" que eu cria ser "muito esperto" se fazia de "bobo", mas por conveniência! Saindo da penumbra, exibe das mãos trêmulas, o seu troféu!

De volta às tarefas do cotidiano, o eficiente funcionário já em seu arriscado posto de serviço, atende a uma ocorrência, e por instante se vê diante de um contumaz, sonegador de impostos. Tolerante, age com sensatez, mas pede que seja regularizada a pendência documental, e o libera. Motivado por um salário bem merecido seguia firme no dia a dia de trabalho, onde pra seu aconchego tinha ao lado, parte de sua família, filhos e netos, e ainda sua inseparável esposa!

Criativo, captava das chuvas e armazenava em "manilhas" a água necessária ao consumo, e colhia de hortaliça própria, os legumes e verduras. Experiente lavrador, plantava em benefício da unidade, árvores frutíferas e em pequena escala, até os saborosos abacaxis. Costumava quando da escassez das chuvas, por empréstimo, valer-se do vizinho Jacobina, vulgo, "Mão de Onça" para o suprimento extra de água potável. A "Lagoa" equidistante, só aos animais, saciava a sede!

De leite e queijos nos abasteciam respectivamente, Dão e Cornélio, mas pra comprá-los requeria de nós, andar a pé!
Ah, esporadicamente era poupado! Meu pai com seu filho predileto, o João que me tirou o posto de caçula, com a sua Vespa Veslan executava a tarefa. Amedrontado, pois chovia a cântaros, o irmãozinho tremia de frio, e sentia medo que mergulhassem ambos, piloto e co-piloto nas águas fétidas dos poços, já contaminados por bactérias! Sim, chovia muito!

Das freadas bruscas, rastros de pneus eram percebidos à distância, caracterizando a imperícia do condutor, nosso pai. Sutil, o ardiloso pirralho que de bobo nada tinha, planeja e salta da moto; por precaução, opta por continuar a pé, e de longe pode ouvir bem clara, a ordem: "desça e abra a porteira, menino". Qual não foi a surpresa dele ao ver que estava sem o ajudante! "abra logo isso, e suba rápido, seu moleque", bufava o destemido piloto que quase usou de "força" física pra convencer o irritadiço aspirante a motoqueiro, e companheiro de aventura!

Intimidado, não ousou recusar dele o novo convite, e ambos saíram de moto pra comprar da filha do Mestre Dão algumas galinhas Caipira. De fato, nem tempo houve pra lavar a Vespa, e os pneus de novo mergulharam nas poluídas poças de lama, que acolhiam centenas de borboletas amarelas e verdes, atraídas pelo salitre. Despreocupados e à sombra do Ipê, o "Véi Zidoro" e Anorina "conversavam" amigavelmente! E as galinhas?! Corriam pelo terreiro, driblando o esperto João, mas ele sabia, é evidente, que empoleiradas já estavam as aves que de fato, seriam comercializadas!

Embora não tenha sido convidado pra o passeio de moto, me senti útil, pois me permitiram buscar o leite fresco numa fazenda próxima, a Santa Helena, propriedade que pertencia a Carlito Medrado, grande amigo e colega de Seo Izidoro!
Montado em um animal marrento, em sua garupa, e não na da Vespa como teria preferido, segui insatisfeito pela trilha que me levaria ao curral construído com Ipê Roxo, madeira largamente explorada e em extinção já àquela época.

No dorso do jumento chucro e sentada no meio de uma "cangalha" estava ela, uma afro-descendente, amiga da família, negra jovem e de boa aparência, que despertava nos homens, o inevitável desejo de possuí-la já à primeira vista.
Com o sorriso a exibir dentes muito alvos, beija o peão amado que se despede com um olhar maroto; era o mesmo que nos serviu cambrexo (leite com farinha e açúcar) direto do peito da vaca! Iniciamos a volta pra casa, mas de repente...
Com a malícia que lhe permitia a tenra idade, cantava para mim, quando fomos surpreendidos por Betinho, um maníaco sexual que sob protestos da menina ainda virgem, a sequestra, e consuma o vil estupro! Nada pude fazer, e fui embora!

Filho de Chico, um velho que virou manchete pelas doze mulheres que dizia possuir, o depravado Betinho, compadre do meu Pai, gostava mesmo das brigas, e sempre se metia em confusão. Sujeito destemido, que a exemplo de Julião, não temia inimigos, mas, uma miragem amedrontava o valentão. Era mofino, e se apavorou quando em visita à nossa chácara, viu algo esquisito com aparência de um negro, cão! É bem provável ter visto ele, a imagem do próprio Satanás!
De crente, virou católico, e logo veio o desencanto. Morreu ateu, mas a sua mortalha era de um autêntico, Pai de Santo!

Dispondo de um vigia e dois seguranças, seria tranquilo o atendimento da noite, cria o guarda Izidoro não fosse um fato isolado, ou melhor, um terrível incidente que iria quebrar do plantão, a rotina, e roubaria dele, o sono e a sua paz.
Com ações ponderadas e firmes, mas divergentes daquelas protagonizadas por Pamponé, outro motorista cometeu um semelhante erro, e teve melhor sorte, apesar de desrespeitar o aviso de "Parada Obrigatória". Perseguido, foi conduzido de volta ao Posto, onde prestaria explicações necessárias, contudo não o obrigaram a dirigir de ré, o pesado caminhão.

Debruçado num surrado cofre que sabíamos conter dinheiro de arrecadações, o caminhoneiro negociava com o Agente, a provável liberação da "carga" apreendida, quando seu corpo é agitada por fortes convulsões, e ele cai sobre a mesa, onde estarrecido, meu pai viu o rosto dele se chocar contra o chão. Embora abertos, seus olhos não tinham mais vida.
Um enfarto fulminante causou a sua morte, e por pouco, muito pouco, também deixava de pulsar no peito, o coração de um homem justo, que pautado na verdade nada podia temer, entretanto, chorava pela "passagem" precoce do cidadão!

Me senti na obrigação de homenagear esse homem sério, esse "guarda" que trabalhou incansável por mais de quarenta anos em um local quase deserto, onde sua segurança basicamente advinha do respeito para com os caminhoneiros e seus patrões. A relação de fraternidade demonstrada ao meu pai pelos seus superiores, e colegas, me motivou a seguir o seu exemplo, e ao me aposentar, vi a história se repetir, e como ele, fui homenageado por ser um homem honrado!

Fim > por Rômulo - 01/01/2012

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

...........A L C O O L I S M O

--------- S E M N O Ç Ã O - Vícios e mortes

Contrariando os ditames da minha vã compreensão, o argumento de um alcoólatra que ingeria drogas e se dizia feliz reacendeu em mim a necessidade de pesquisar os efeitos do álcool como estimulante, vez que contribui para a degradação psíquica, física e moral do indivíduo, e como a vida é feita de escolhas, teve como prêmio, a sua própria morte!

Deus no uso da sapiência fez o homem à sua semelhança, deu-lhe inteligência, mas ele usou do "livre arbítrio", uma "invenção do Diabo" para persuadi-lo a conhecer o inferno!

Após alguns anos de observação, vi pessoas instruídas, algumas com formação na área de saúde, amigos meus, inclusive, que sentiram na pele, ou melhor, na mucosa nasal o ardor e a incandescência das pedras de craque em chamas; é fato... Homens que tiveram ceifadas as suas vidas em detrimento da fatídica e contumaz ingestão de drogas, também aquelas aceitas como lícitas, qual o cigarro e álcool, mas que inexoravelmente, matam!

Vítima da indução dos anos oitenta, cria tanto quanto outros jovens num estereótipo do "mocinho", aquele que degustava whisky e fumava charutos "Havana" nos raros filmes, enquanto as informações bem limitadas diferiam das atuais, quando a mídia televisiva e jornais dão enfoque especial sobre os graves riscos dessa prática, pouco recomendável.
Por sensatez antevi melhor qualidade de vida, e determinado me esquivei do fumo e do álcool, exemplo que deu aos meus filhos a chance de uma vida saudável e sem vícios.

A motivação de escrever sobre o tema "Alcoolismo e suas consequências" me levou a descobertas inusitadas, e citaria se pudesse, além dos fatos, nomes de personalidades vítimas precoces desse vício terrível, o grande vilão que causa dor e muito sofrimento.
Numa comunidade de pequeno porte como Lençóis, o consumo de laticínios, a exemplo do leite, é infinitamente inferior ao da bendita "cachaça" que ostenta o primeiro lugar.

A concentração de alcoólatras na Rua das Pedras é bastante expressiva, e a exemplo da "cracolândia" se amontoam nos passeios e portas de tradicionais "Pontos Comerciais" do centro da cidade, afugentando turistas e nativos que evitam transitar naquela via, pois as abordagens são constantes, pouco gentis, e sempre incomodam. Se a vida é mesmo um show, ver o ser humano sucumbir refém da dependência química é o seu pior espetáculo!

Protagonizando a escolha medíocre e "sem noção" pela entrega aos vícios, estão aliados e democraticamente juntos na mesma desgraça - homens, mulheres e até adolescentes que excluídos do processo social de direito, padecem na esperança de um tardio socorro.
A ação da Loja maçônica Amor e Luz III experiente no combate aos vícios, atuou no resgate de alguns desses infortunados profanos que ainda assim, retornaram às trevas.

O alcoolismo em Lençóis é uma questão de saúde pública, e os poderes constituídos, até por um dever humanitário, poderiam viabilizar projetos de combate, recuperação e reintegração dos dependentes químicos de volta às suas famílias e ao convívio social. Sem distinção de raça e nem mesmo da condição sócio-econômica, o álcool, o fumo e estimulantes outros, têm levado a óbito - pobres e ricos, ignorantes e intelectuais, e um número considerável de "aposentados" que conscientemente fizeram uso do livre arbítrio!

Por quanto tempo haveremos de derramar sobre túmulos de amigos e parentes, nossas já escassas lágrimas de dor?! Famílias tradicionais e nem por isso menos sofridas, choram a perda dos entes queridos, não obstante o custo da "urna fúnebre", pois são todas iguais as MÃES ENLUTADAS que sofrem pelos seus filhos, alguns ÓRFÃOS de PAIS VIVOS. #

F i m

Por Rômulo _ 02/2012

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

..........M A T R I M Ô N I O

............. Ricardo & Marina

Por Rômulo

A ânsia tomava conta dos nubentes, até pelo cansaço das noites mal dormidas, onde cada detalhe do projeto "casamento" foi por eles exaustivamente checado. Oito de janeiro de dois mil e doze amanheceu quente e ensolarado, uma bênção de RÁ o Deus Sol e Iemanjá a Rainha das Águas. A celebração inda que solene quebrou paradigmas, quando não por acaso foi realizada ao ar livre, e no encontro de um rio com o mar.

Águas Brasil com sutil requinte e visível estilo, foi o local perfeito pra receber do Rio Joanes e vindo do mar, uma noiva deslumbrante que ousou inovar. Do seu violino acordes afinados arrancavam da platéia, os aplausos, enquanto no barco que deslizava em águas mansas, a jovem inspirada, e ao por do sol, interpretava a canção "Quando a Gente Ama" de Oswaldo Montenegro. Por um instante vimos ignoradas as formalidades, e até mesmo o Meritíssimo juiz celebrante deixou o púlpito, a exemplo dos padrinhos e convidados, pra testemunhar aquele momento raro, de magia e beleza indescritível, que seria citado no seu sermão!

Perplexos nos voltamos pra ver da pequena embarcação, descer em terra firme, a emocionada Marina, quando o solo suave do seu instrumento, de repente cedeu lugar a um som forte e bem definido de um saxofone. Do altar nada convencional onde não se via resquícios das ricas pinturas barrocas, Ricardo orgulhosamente deu continuidade à canção símbolo de um amor recíproco, e sua impecável interpretação não deixou dúvidas de quão emocionadas ficaram as pessoas, posto que não contiveram suas lágrimas.

Com trajes simples, mas de muito bom gosto, o casal de noivos inovou também no vestuário pouco usual, sobretudo numa cerimônia de casamento, que foi registrado em foto e vídeo. Ela esbanjou estilo ao desfilar com o vestido creme de cauda longa e detalhes em renda cearense. A pintura discreta acentuou seu rosto bonito, encimado por um penteado que deixava ver com simetria, pequenas rosas brancas, feitas à mão. O irreverente noivo dispensou o tradicional terno com gravata, que provavelmente lhe assentaria muito bem, e não menos elegante caminhou com graça e leveza como se estivesse numa passarela. Suas vestes, composta de uma bata rica pelas rendas de bilros e a calça também branca e de puro linho, fez toda a diferença, e ainda optou por usar uma Sandália Stephanie pra calçar os seus pés. Assim, foram para o altar.

A cerimônia foi celebrada pelo Juiz de Paz, o doutor Alberto que fez uma palestra com enfoque no amor sem restrições; no amor puro e verdadeiro, coisa rara, até pelo excessivo número de divórcios que coloca em cheque a credibilidade da instituição família. As alianças, símbolo de união foram levadas aos nubentes por Thaís a irmã de Marina que se emocionou, mas refeita, leu "A Aliança" poesia preferida de Dona Nancy.

Findas as ponderações pertinentes, doutor Alberto, o juiz, fez ao casal o questionamento de praxe e ouviu sem surpresa o "sim" que o público presente ouviu claramente..."desejamos ficar sempre juntos, disseram".

O segundo e o último momento da cerimônia culminou com a leitura de uma crônica - "A Bênção das Areias" escrita por Rômulo o pai de Ricardo. Criam os recém casados como bem citou na mensagem o literato, que a fusão das areias "azul e laranja" levadas ao altar, seriam abençoadas, e depois de misturadas por ambos, fortaleceria a expectativa de que poderiam viver...

............ "Juntos para Sempre, e Separados, somente pela Morte!

Fim > 09/01/2012

Considerações: O evento foi bastante comentado - antes, durante, e depois de sua realização.

Antes - Quando da criação e idealização do projeto de autoria de Ricardo & Marina;
Durante - Quando da busca por profissionais especializados, e a inserção deles no projeto;
Depois - Pela mídia e convidados quando das críticas elogiosas ao ousado e bem elaborado projeto.


.......C A S A M E N T O - Ricardo & Marina

...................B Ê N Ç Ã O. .D A S. .A R E I A S


O matrimônio, provém do amor incondicional, e sempre culmina com a União Indissolúvel, desde que seja fortalecido por um relacionamento, sólido. Presenciamos nesse instante a união de dois jovens que se encontraram ao sabor do acaso, e não por acaso optaram por viverem "Juntos e Felizes para Sempre", como se fosse em um Conto de Fadas.


A metáfora "O Encontro das Águas" vista no criativo convite de casamento, retrata parte da trajetória do casal, e nos mostra que apesar de terem nascido em diferentes regiões, seriam contemplados pelo destino, não obstante os obstáculos enfrentados e vencidos.
A perseverança de ambos tornou exequível um grande projeto - A União, se por amor!


Essa moça que esbanja felicidade, é privilegiada por ser baiana e ter sido criada em belas praias. Com seu Barquinho imaginário, de cor laranja, sem pressa, aguarda. Só aguarda! Espera que surja pela maré, e vindo das águas límpidas das cachoeiras de Lençóis na Chapada, o Barquinho Azul com seu amado! Ricardo era o filho dos rios e Marina, do mar!


As areias de cores vibrantes, que ora veem, indicam o Amor efervescente que dá graça e vida a esse enlace matrimonial. A areia Azul simboliza as intenções do noivo, Ricardo, e a disposição dele em fazer feliz aquela a quem escolheu pra ser sua eterna, companheira.
Marina, representada pela Areia de cor Alaranjada, mostra quão feliz foi a sua escolha, e se deixa levar ao altar, e aceita ser misturada, porque entende que outros tons, surgirão!


Inseparáveis, os grãos de areia antes dispersos, já sem cor definida, definem o destino desses amantes, responsáveis pelas lágrimas que afloram e umedecem os finos lenços, enquanto nós, os Pais afortunados, nos realizamos em ver felizes nossos filhos, unidos pelo santo matrimônio. Rogamos que sejam as areias abençoadas, e que da fusão dos seus grãos surjam as rochas que edificarão o novo lar, com Sabedoria, União e Amor!

Por Rômulo,

08/01/2012