terça-feira, 1 de junho de 2010

..........PEQUENO FOX




................L i t t l e - - F o x

Embora temido por exibir afiados e grandes caninos, é de pequeno porte o meu inseparável amigo, Fox. De raça não definida, mas com a insinuante aparência de uma raposa de pelo amarelo fulvo, o cãozinho lembra um chiuaua, o menor cão do mundo.

As Manchetes Internacionais, mormente aquelas voltadas ao cumprimento de leis em defesa dos bichos, me impressionam, em especial, de cães e gatos abandonados. Criadores, mesmo aqueles que amam seus animais, se decorrente de viagens ou por algum motivo de força maior, deixa-os ao relento ou os aprisiona, são interpelados e julgados pela prática de maus tratos contra animais indefesos, e às vezes, condenados.

Muitas ONGs de Proteção a Animais são vistas em nosso país, mas não contam com o apoio logístico necessário para se fazer cumprir suas Leis. Omissas, as autoridades municipais permitem também nas cidades do interior, e a nossa é uma delas, criadouros a céu aberto, de cachorros e gatos adoentados e sempre famintos.

Defensor de bichos de estimação e com várias matérias postadas com esse tema, ainda assim, conclamo a atenção da área de saúde pública para o risco da Leishmaniose, doença não contagiosa, causada por parasitas que se reproduzem dentro das células, fazendo parte do Sistema Imunológico da pessoa infectada. Dentre outros animais, o cachorro pode ser o hospedeiro e um agente proliferador da doença.

Quem ama, cuida! É fácil perceber a diferença entre ter um cão e gostar de um cão. Não insinuo que devam ser banidos das ruas, como animais pestilentos, os nossos cães, mas que sejam remanejados para um canil público, onde deverão receber de veterinários os cuidados médicos, e que alimentados possam ser disponibilizados para uma possível adoção. Esses animais à solta e sempre mendigando um pedaço de pão sob as mesas, e entre as pernas de turistas incomodados, infestam as portas de bares, restaurantes e lanchonetes. Apesar de sua agressividade, esses bichos esquecidos pelos donos, mostram sempre no olhar piedoso, a dor da fome que os consome. Muitos deles passam a noite com míseros nacos de carne, caídos ao acaso de um sandwich, objeto da disputa que premia não o mais faminto, mas, o cão mais astuto.

E por falar em astúcia, volto a escrever sobre as peraltices do meu esguio e feroz, Fox! Por descuido ou mesmo por incompetência, deixamos de ensinar também a ele, que um cão não pode viver sem o convívio de outros bichos da sua espécie. Tarde demais! Com mais de um ano de idade, nos preocupa o dia quando tiver que fazer sua iniciação sexual, sem que primeiro tenha ele, o ímpeto de comer nas preliminares, a orelha da sua amada. Anseio que o instinto prevaleça, surjam os filhotes, e que vivam em união.

Sem que seja preciso chamá-lo com assobio, que, aliás, é um método de interação, um leve silvo emitido com os lábios, é o suficiente para tê-lo bem depressa, junto a mim. Faceiro e subserviente sempre está disposto a corresponder às minhas brincadeiras. Resgatado que foi na distante favela, o pobre cachorro assustado não tem mais fome, nem medo, e se fez um protegido dela, a minha filha, sua dona de fato, mas não de direito. Fui adotado por esse Cão sapeca, que me ensinou o valor da amizade; e se hoje divido o seu afeto, é que mais do que ela tive com sobras, tempo pra lhe dar atenção.

Nas tardes de domingo, sua companhia é indispensável até quando movidos por uma grande paixão, ficamos também os dois refestelados no sofá para assistir e torcer pelo Flamengo, O Campeão. Ao grito de gol, coisa rara desde que nos sagramos vencedores no Carioca 2009, o cãozinho sapeca late, pula e corre pelo piso de madeira, exibindo-se veloz como se entendesse que de fato aquele é o momento pra alegria e empolgação.

Contrastando com essa explosão de satisfação, consigo compreender sua tristeza, e quase sempre se dá quando tenho que me ausentar. É comum nas noites em que estou paramentado e saindo para a minha Loja de Trabalhos Maçônicos, não vê-lo perto de mim; esconde-se sob uma mesa, e do desvão que o protege, fica a me rosnar.

Decorrido algum tempo, cansado chego sonolento, mas o moleque ainda está a me esperar. Faz uma grande festa e com mordidas leves, ele parece querer me castigar. Logo fazemos as pazes e o bichinho esperto pula de alegria, e sem que eu o proíba, sobe nos meus ombros, e como se fosse uma raposa, me enlaça com sua pele macia.

Seja gato ou cão, em verdade, todo animal merece carinho e a nossa afeição. Olhemos um pouco mais para aqueles abandonados e doentes, pois um dia, tenham certeza, foram saudáveis, tiveram uma família, e não precisavam disputar um pedaço de pão.

...........................Fim.
"A leitura é uma fonte inesgotável de prazer, mas por incrível que pareça, a quase totalidade, não sente esta sede"...Carlos D. de Andrade.

.................Autor – Rômulo Bispo dos Anjos
....................Lençóis – Bahia 01/06/2010

Um comentário:

  1. Adorei o texto, pai!!! Também acredito que um dia as pessoas irão enxergar os animais com mais respeito, mas infelizmente na nossa cidade isso tá longe de acontecer... Pois falta amor e paixão no coração das pessoas, o que tem me deixado muito triste com a "população" de Lençóis!!! Enfim, enquanto isso vamos fazendo a nossa parte e amando não só os nossos bichinhos, como todos que passarem por nós.

    Com relação ao Pequeno Fox, tenho que admitir que é um cãozinho especial, amigo inseparável e um companheiro fiel. Sentimos saudades e com certeza após o nascimento da Princesa Maria Luísa voltaremos a Lençóis e estaremos todos em comemoração no nosso Clã familiar.

    Viva a nossa linda família e o belíssimo mundo que criamos na saudosa Lençóis.

    Michelle Nonato

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