terça-feira, 13 de setembro de 2011

.......................Willy - O Cão


Já vi cenas repugnantes, mormente em filmes "trashes", entretanto, menos intrigantes do que aquelas vistas no idoso e enfermo, Willy. Outro dia, em um passeio matinal com os cães, ao fazermos a higienização e trocar a fralda já cheia de urina e fezes, de um deles, percebemos que uma mosca de cor azul, incomodada, se espreme e voa insatisfeita, portanto.

Registrado o incidente, ouvimos de suas asas o zumbido pouco audível, e continuamos a limpar a área da persistente, ferida; julgamos ter sido tão somente uma visita esporádica, da inescrupulosa, "mosca azul". De um porte maior, e até por isso mais lenta nos rasantes voos direcionados, a meu ver, não fosse ela transmissora de doenças, aquela, de cor de um azul intenso e metálico, seria dentre todas as dípteras, a mais bela. Prefiro, apesar de expletivo, vê-la de mim, bem distante, posto que sem limites, busca incansável saciar o seu voraz apetite.

Apesar da higiene dispensada ao poodle, na noite do dia seguinte fui acordado com latidos que mais pareciam gemidos de dor, vindos do sofrido, animal. O cachorro que se mostrara bastante incomodado durante todo o dia, não despertou em nós nenhuma suspeita da gravidade do seu problema, em virtude de ser esse o seu comportamento depois que foi acometido da doença.
Serena e convicta do que fazia, Milena esbanja técnica e segurança, e inicia ali mesmo, no sanitário, o socorro ao seu cãozinho indefeso; alguma coisa parecia querer devorá-lo vivo!

Meu pai... Ouço seu apelo, agora entre soluços, quando buscava em mim, apoio ao que fazia. Indubitavelmente, ficar à distância seria mais prudente não tivesse também sido despertada em mim, uma co-responsabilidade pelo bem estar daquele animal moribundo. Sempre disposto a ajudá-la, atendi de pronto ao chamado e me postei também ali, ao seu lado. Suas mãos que se igualavam à sua voz, também tremiam ao apontar com uma pinça, e delas pingos de sangue me sugeriam entender que algo inusitado teria acontecido ao enlouquecido, animal.

Portador de uma doença não rara em cães, e já com úlceras que o afligem há tempos, não foi difícil crer num diagnóstico do temido câncer prostático. Além do mal que já sabíamos ser incurável, temos também a certeza de não poder operá-lo, face os sérios riscos de morte.
Animal de estimação que nos acompanha há mais de quinze anos, nosso Poodle Willy tem uma vontade enorme de viver. Alimenta-se bem, faz parte do nosso dia a dia, e ainda consegue apesar de tudo, ter uma sobrevida satisfatória. Recentemente nos acompanhou a uma viagem a Salvador, em 31 de julho de 2011 local onde se deu o incidente que volto a comentar...

Assustadores, os "bichos" brotavam aos montes da região anal, com forte indicativo ao óbito, não fosse a intervenção da minha filha, que incansável, o socorreu. Passava da meia noite e nós, ali, sem contar com recursos outros, fazíamos o possível prá amenizar o sofrimento do pobre animal. A idéia da ducha quente com esguicho forte, além do Baygon, foi providencial.
Mais calmo, posto que apenas alguns persistentes bichos carnívoros relutassem em deixar o pútrido banquete, Willy se deita e aceita os afagos daquela dedicada, enfermeira. Um a um, todos foram retirados, apesar da resistência, e finalmente podemos descansar, sem esquecer o apoio logístico de Cássia, minha esposa, que possibilitou que a operação fosse exitosa.
Imagino como seria o desfecho desse apavorante drama, aos nossos olhos, se não fosse pela intervenção corajosa da sua "dona", Milena. Pena que outros cães não tenham dela, cuidados.
Me orgulho de tê-la como técnica na área de saúde, vez que assim como nossos animais de estimação, também os seus pacientes, sem exceção, são alvos de seus préstimos.

Um comentário:

  1. Tenho orgulho de conhecer vcs e de dizer que sou amigo de uma família tão linda e dedicada ao próximo... Valente Willy o protetor de sua dona.. Boa sorte...

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